quarta-feira, 30 de março de 2011

Futebol ou Grêmio


Muitos amigos afirmam: eu não gosto de futebol, eu gosto do Grêmio/Internacional. Ontem, pensei nessa frase. A terça-feira foi um daqueles dias dedicados a atualizar as páginas dos projetos onde trabalho, mais facebook (sim, pra mim é trabalho), mais blogs dos projetos...

Televisão desligada e concentração total na hora de escrever. Porém, liberado lá pelas cinco horas da tarde, resolvi dar uma conferida nos jogos das eliminatórias da EURO.

Na ESPN, rolava Espanha e Lituânia, mas na ESPN Brasil a programação não era futebol e sim o jogaço de basquete valendo vaga na semi da EUROLEAGUE (uma espécie de Champions da bola ao cesto) entre os gregos do Panathinaikos e os espanhóis do Barcelona.

Coloquei-me no lugar dos catalães e visualizei a seguinte hipótese: seleção brasielira disputando a Copa América e o time de showball do Grêmio jogando no outro canal.

Jogo de showball toda a vida....

Sou gremista acima da minha paixão por qualquer coisa. Até mulher. Uma só, claro, porque se forem duas começo a repensar!!

terça-feira, 29 de março de 2011

Sangue Puro


Acho que vai pintar campeão inédito lá no Geraldo Santana. A galera sacaneia o Jefferson e o Régis os chamando de Cavalo Paraguaio. Porém, a consistência apresentada até agora pelos dois botonistas os credencia a vôos altos no torneio. Temos, na verdade, dois potro selvagem.

Jefferson, disparado, é o cara que mais evolui na mesa. Régis é dono de um chute mortal. Após quatro rodadas, os dois lideram com 100% de aproveitamento. Merecidamente. Eu particularmente torço que algum deles evante o caneco. Nada contra meus outros companheiros, tudo a favor desses meus dois companheiros.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Hoje duas notícias chamaram a minha atenção: a morte de Liz Taylor e a volta da “geral” na Inglaterra.

Elizabeth começou a carreira cinematográfica ainda criança, quando foi descoberta aos dez anos. Contratada pela Universal Pictures, filmou There's One Born Every Minute, mas não teve o contrato renovado. A partir de então, apaixonou-se pela profissão e permanecer no estúdio tornou-se o maior sonho.

Evoluindo como atriz talentosa e respeitada pela crítica, nos anos 50 filmaria dramas, como Um lugar ao Sol, com o ator Montgomery Clift; Assim Caminha a Humanidade, com Rock Hudson.

Liz, como foi mais conhecida, foi reverenciada como uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos; a marca registrada são os traços delicados e olhos de cor azul-violeta, emoldurados por sobrancelhas espessas de cor negra.

Lembro dela pequenina fazendo um filme da Lessie...depois a consagração total em Cleópatra. Lá se foi a Diva.

O outro tema foi, de certa forma, alvo de discussão “áspera” entre mim e o Gothe. O debate girou em torno do futuro dos estádios brasileiros. Mas não em referência aos seus padrões de qualidade, mas sim a cara do torcedor que vai frequentar esse templo de adoração e devoção de milhões de torcedor.

Abre parênteses: na Inglaterra, os torcedores querem ter o direito de assistir o jogo em pé. E venceram! Haverá a volta de espaços assim nos estádios. Muita gente teme a volta da violência por isso. É aguardar para ver...fecha parênteses

A discussão era meio inglória para mim, já que o Gothe vive muito mais a realidade do grêmio - nosso alvo porque somos torcedores fanáticos do tricolor.

Ele alega, com boa dose de razão, que futebol é caro para se manter e os valores da Arena serão de acordo com a necessidade do clube para gerir com lucro o futebol.

Concordo, mas temo. Meu medo é termos no Brasil estádios como os dos grandes clubes ingleses. Milhares de turistas em arenas modernas, mas sem alma. Os alemães, que tb possuem estádios padrões fifa (nota do editor: cago e ando para o padrão FIFA. Quando entro em um estádio não busco conforto, mas sim emoção. É só uma opinião, muitos tem o contrário e respeito) optaram por ingressos mais baratos.

Os dois modelos podem alcançar sucesso: o Borussia (Alemão) tem a maior média de público de toda a Europa, o Manchester United (Inglês) tem a segunda e é sem sombra de dúvida um dos cinco maiores do continente.

No Brasil, Grêmio e Inter são pioneiros no modelo associados. Ambos instauraram essa fórmula quando os times estavam em crise técnica. Hoje, o Inter passa por uma fase muito boa e adota vários modelos de associação. O Grêmio seguiu o mesmo caminho.

Acho que a fórmula ideal seja essa.: criar espaço para todo mundo frequentar o estádio. Porque, ao contrário do que pensa muita gente, considero as torcidade de Grêmio e Inter iguais. Se neste momento a do Grêmio demonstra mais fanatismo, isso vem pela ânsia de títulos. Na década de 90, era ao contrário. O Inter levava mais gente nos jogos do brasileirão, ou seja, quanto mais sofrida a torcida de um grande clube, mais torcedor em campo.

Porém, sou contra ingressos caros em estádio de futebol. O Santos cobra 100 mangos para um jogo da Libertadores. Absurdo!! Agora como tá com a água batendo no pescoço, vai diminuir o valor para lotar. Ou seja, só lembra do torcedor comum (àquele que incentiva até o último minuto) quando precisa transformar o estádio em caldeirão e não num teatro.

Futebol é para o povo e não para a alite. Aliás se a elite quer frequentar estádio, ok! Que pague camarote e cadeiras ou vá para a social e deixe as arquibancadas para os zés, os pedros da vida.

Infelizmente, pagamos salários astronômicos aos nossos jogadores, treinadores e, às vezes, até para funcionários do clube. Isso está higienizando nosso estádios. Sem grana forte, sem jogo de futebol. A não ser que não vá ninguém e o cara consiga espaço no modelo mais barato de sócio. Como falei antes: entendo que esse seja o modelo mais correto nos dias de hoje, mas não concordo!

Tem uma corrente forte que defende: o clube é do sócio e não do torcedor (o Gothe não faz parte dessa corrente). Então, a partir desse pensamento, vamos criar esclas de torcedor.

Eu não sou sócio, mas pago a mensalidade da carteira da minha irmã (o que me torna sócia de certa maneira) e ainda tenho o PPW que dá grana diretamente ao Grêmio. Sou um torcedor nota 6, é isso? Já outros, pagam cadeiras o que dá mais grana ao clube, então eles são nota 8, se tiverm PPW, senão caem na escala.

Então quem merece mesmo reclamar são os donos dos camarotes. Esses são os verdadeiros gremistas...

E assim a roda gira, o guri garçom do Pinacoteca não pode mais ir ao Olímpico por quê o Grêmio paga 250 mil reais para o Carlos Alberto.

Tá mais do que na hora de haver um teto salarial para os jogadores, mas isso nunca vai acontecer por que os nosso dirigentes são descolados em não cumprir acordos.

Pobre do pobre torcedor...esse só vai voltar a frequentar estádio em dia de visita ao público. Isso senão resolverem cobrar e muito tb!!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Que puxa


Quando meus pais retornaram para Alegrete em 1990, a camiseta nove do 20 de setembro (time de várzea) já estava a espera do meu progenitor. Faro de gol a serviço da equipe alvi-verde.

O centromédio deste time era o Cabo. Na verdade, nem titular ele era. Mas era graças a sua capacidade de doação que o time entrava em campo todos os domingos para jogar o citadino.

Buscava em casa, pagava o trago do goleiro (que jogava movido a álcool), sediava os churrascos e assim por diante. Ou seja, um cara muito bacana e legal de se conviver. Fui a várias confraternizações na casa dele.

Pouco tempo depois o Cabo se mudou para Porto Alegre. Engenheiro elétrico, ele veio trabalhar na secretaria municipal de Trânsito.

Joguei bola com ele uma ou duas vezes no final da década de 90. Depois nunca mais o vi. Meus pais vieram morar aqui e tentaram contato com ele, mas não tiveram reciprocidade na procura.

Mas, ele ressurgiu nas nossas vidas via tubo, mais precisamente em uma matéria do Fantástico, como um dos sócios da ACT, empresa acusada de fraudar licitações para lombadas eletrônicas.

Fiquei chocado. Sou muito pueril para entender este tipo de relação entre governo e instituições privadas. E o que leva caras legais a se envolver nestas relações promíscuas.

Daqui a seis semanas ninguém vai lembrar mais disso. A não ser a sua filha adolescente e todos os irmãos e amigos que sempre o respeitaram e muito. Vale a pena?? Pra mim não!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quer jogar no Barça?? Saiba como!!!!


O Barcelona venceu ontem o Arsenal e passou as quartas de final da Copa dos Campeões. A bandeira da Catalunha é o melhor time do mundo...DISPARADO!!

É uma máquina avassaladora de jogar futebol. Os caras marcam o tempo inteiro sob pressão. Já tinha me impressionado no jogo contra o Real Madrid. Os caras ganharam todas as divididas dos Merengues durante os noventa minutos. Além de tecnicamente superiores, os jogadores do Barcelona parecem à Hungria de 54: não param de correr um segundo!!

E isso tudo com dez em jogadores em campo. Porque o Barcelona tem três laterais esquerdos e nenhum ao mesmo tempo. O Abidal, o Adriano ou o Maxwell ficam ali quietinhos na deles. Se a bola chegar melhor, mas se não chegar tb não tem mal nenhum.

Como o Barça tá cheio de dívidas, os diretores do clube da Catalunha poderiam fazer uma promoção. Pague 50 mil euros e seja lateral esquerdo do Barcelona por um jogo do espanhol ou Copa do Rei. Pague 100 e jogue a Champions League ao lado do seu ídolo.

O que teria de milionário asiático e árabe pagando pra jogar ia ser uma grandeza. Sem falar em profissionais liberais da América e da Europa. Se tivesse dinheiro, eu pagaria.

Ia ser a maior campanha de marketing da história!!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A revolução da revolução




Ontem acho que assisti um processo de revolução silenciosa no meu bairro de coração: a Cidade baixa. Mas antes de contar essa história, vou elucidar a minha relação de afeto a esse local tão tradicional de Porto Alegre.

No final dos anos 70, minhas tias (irmãs do meu pai) vieram estudar em Porto Alegre. O apartamento ficava na Luis Afonso entre a Lima e Silva e a José do Patrocínio.

Nas minhas visitas nos anos 80, a atração era sempre uma só: ver os desenhos japoneses no SBT (Ultramen e Spectramen). Já que em Alegrete e Rio Grande (cidades onde dividi a minha infância) não pegava o canal do Silvio Santos.

Foi nesse mesmo apartamento, em 89, que assisti o James Buster Douglas vencer o Tyson. Ali morria o boxe para uma geração inteira.

Os anos 90 vieram e com ele as más notícias. Em 92, em um acidente de carro morre meu avô paterno. Era a senha para mudanças na família. Minha avó deixava Alegrete e rumava para a capital para morar no apartamento da Luis Afonso.

Três anos depois era a minha vez de vir morar na capital. E fui morar lá no cafofo dos Ferreira da Costa junto a minha vó e tia mais nova. A Cidade baixa era diferente. As ruas lotadas pertenciam a Oswaldo Aranha a Goethe.

Existiam seis bares na Lima e Silva (juro por Deus). Nicus, Esquinão (hoje hotel Máster), Quilograma, Cotiporã, Copão e o Marinho. Alguns bares na República. O Cavanhas da Perimetral. E um trailer chamado Speed, mas conhecido mais por Pereira. Nome do dono, um gremista fanático. Hoje a coqueluche do final de noite.

Ao lado da minha chegada (que tem um peso fantástico na transformação do bairro), acontece a construção da Nova Olaria. O bairro começa a mudar. O movimento aumenta lentamente. Hordas vem e vão entre a Lima e Silva a Oswaldo Aranha. Começam a surgir pequenos bares. O ato decisivo da revolução é quando um senhor judeu, o vereador Isaac Ainhorn, consegue implantar um série de normas restritivas a bares no Bom Fim. Era o fim das noitadas no bairro mítico da capital.

A Cidade Baixa explodiu e a partir daí e não parou mais. Hoje, eu não moro mais lá (me mudei em 2009), mas estou sempre dando uma banda pelas ruas que eu conheço tão bem. Seja jogando bola no Pão dos Pobres, perto da Baronesa do Gravataí, um dos berços da população negra de Porto Alegre, ou bebendo nos bares onde conheço os donos e os garçons.

Mas parece que o bairro está dando uma outra guinada na vida da capital. A festa de carnaval do tradicional bloco Maria do Bairro, na Sofia Veloso, estava lotada. Vários blocos de bares e de amigos. Tudo bem que o fato das universidades já estarem em aula contribui para esse fenômeno. Mas quem sabe um dia não teremos em Porto Alegre várias pequenas bandinhas, no melhor estilo Ipanema, a espalhar marchinhas e sambas pelas ruas centenárias da Cidade Baixa.

Nos falta o mar e as maravilhas do Rio de Janeiro, mas não nos falta alegria e disposição. Ao contrário de muito, eu não vejo o gaúcho como um povo sério. A galera aqui curte festa e muito. Quem sabe ontem não presenciei o início de outra revolução.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O dia em que o alaúde e o jacaré choraram


Tudo começou em meados de 1995 na PUC. Quarenta adolescentes reunido na 279. Futuros publicitários, jornalistas, relações públicas. A maioria militante de esquerda. A maioria curtia beber. A maioria louca pra conhecer novas pessoas. A maioria se reuniu para não desgrudar mais ou quase isso.

Na verdade, o tempo deixou vários pelo caminho da faculdade, mas uns quinze resistiram. A eles se agregou o amigo, a amiga, a namorada que virou ex, o namorado que virou ex.

Quando a faculdade terminou deixaram de ser um grupo e formaram um exército. Reuniam fácil no Nicus ou no Voltaire mais de quarenta pessoas. Mas tal qual um filme que fala sobre crianças e vai citando os futuros dos personagens no final, os agregados foram desaparecendo.

Sobraram os de sempre. Em número menor, mas sempre com uma ou outra cara nova que atendiam pela alcunha de atual namorado, atual namorada.

Assim eles foram levando por uma década. Muitos por motivos profissionais foram embora. São Paulo, Brasília, Salvador, Estados Unidos, Caribe.

Porém de um ano pra cá tudo mudou. Os churrascos cheios viraram de meia dúzia. Os encontros foram se dissipando. Sem culpados. Cansaram uns dos outros. Um ainda resiste na trincheira, o mesmo que sumiu durante dois anos de relacionamento e não pisou no Nicus por todo esse período.

Nicus que já foi ponto de encontro sem precisar ligar. Era só ir lá e encontrar dezenas de caras conhecidas. Hoje, virou um bar que ninguém mais curte ir. Nos encontros quando acontecem, metade não vai. Tô cansado, acordo cedo. Nem justificativa eu dou.

Os jogos do Grêmio e do Inter ainda são a resistência, mas segmentam os grupos porque ninguém vai em jogo de outro time.

Enfim, agora é tentar reagrupar. Lamber as feridas. Saber dividir aquele amigo que era só nosso, com outras pessoas. Beber mais sem culpa. Sair mais sem culpa. Dizer pra namorada ou pro namorado que sente falta daqueles amigos e quer encontrá-los nem que seja sozinho (a).

Transformar a nossa vida social no grupo do Yahoo. Ali todo mundo fala. Ali todo mundo brinca. Ali todo mundo aparece. Mas as amizades são reais, não virtuais. Assim como os agregados desapareceram. Vamos ter cuidado porque senão a gente vai desaparecer.